sábado, 22 de janeiro de 2011

De volta a cena

O Projeto Marginaliaria depois de umas ferias bem merecidas, volta oficialmente as suas atividades hje, primeiro ensaio, no estudio ART ROCK 661, nosso parceiro daqui pra frente e futuro local em que ocorrera, se deus e o VAI quiser, O Levante, mas se o VAI num quiser vai ocorrer do mesmo jeito, é a nossa cara lutar pelas quebradas do jeito e com a arma que tiver, afinal, somos Marginaliaria, somos Fabrica de Marginais.


hje as 18 hs, no Art Rock 661, ensaio aberto do Projeto Marginaliaria.


rua gonçalves Ribeiro n 661 - jd Helena -são miguel paulista


Andrio Candido

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Apresentador de Tv é barrado em porta giratoria

Escritor Alessandro Buzo passa constrangimento em agencia bancária do Itaú

Por: Alessandro Buzo

Lamentável o que ocorreu hoje (segunda-feira, 17 de janeiro de 2011) numa agência bancária do Itaú na Rua Rui Barbosa na Bela Vista.
Eu (escritor Alessandro Buzo), fui até a tal agência pagar minha fatura do cartão de crédito VISA/ITAÚ, que vence nesta data.
Ao tentar passar pela porta giratória, travou....
Tirei chave e celular, o que geralmente tiro e travou de novo.
Voltei, tirei carteira, cartões do bolso, agenda, enfim.....tudo. E travou mais uma vez.
O segurança disse que eu poderia guardar no guarda volume.
Perguntei o que era pra mim guardar se eu não estava de bolsa e tinha tirado tudo dos bolsos, estava de bermunda jeans, tenís, camisa polo e boné.
- Você quer que eu guarde minha roupa ?
- Aguarda que vou chamar o gerente.
O gerente venho e disse que estava travando, não podia fazer nada.
- Só quero pagar uma conta ?
Mostrei pra ele a fatura do Itaú e o meu cartão.
- Sou cliente do banco, comerciante na Rua 13 de Maio.
- Não posso liberar.
Eu fiquei puto: - Então chama a polícia que ninguém entra nem sai, vou ficar aqui.
Permaneci um minuto mais ou menos, formando fila pra entrar.....o tal gerente ligando pra polícia.
Ele voltou depois de ter ligado pra PM, disse que iria sair pelas pessoas que estavam esperando e não tinham nada com isso, disse ainda que ele era um gerente de merda e dei um chute na porta.
Sai dizendo que chamaria a imprensa, mas nenhum dos jornalistas que eu conheço localizei na hora por telefone.
O Fernando Ferrari que me acompanhava dizendo pra gente ir em outra agência (muito longe), disse que era uma falta de respeito.
Pensava o que fazer porque se eu não entrasse, ou deixasse barato, não ia conseguir nem dormir.
Nessa vem duas motos da Polícia Militar e param no farol (semaforo), abordei os policiais e expliquei a situação.
Eles contornaram e pararam em frente a agência, enquanto eu explicava melhor....um dos PM´s disse: - Bandido eles não baram.
Saiu o gerente, disse que era o cidadão que impediu minha entrada.
Ele tentou argumentar que eu estava descontralado, disse que iria abrir a porta e me acompanhar, mas que eu gritei com ele.
Falei que só se fosse agora na presença da PM que ele deu opção de entrar comigo.
Ele disse: - Eu não quis impedir seu direito de ir e vir.
Eu emendei: - Mas impediu, olha aqui, minha conta vence hoje e quero entrar.
O PM virou pra ele e disse: - Vamos resolver, ele precisa entrar.
O gerente mostrou a porta que adivinhem: DESTRAVOU.
Entrei, peguei a fila, paguei e ainda perguntei o nome do gerente: ROGER.
Na saída coloquei um cartão de visita na frente do segurança e disse: - Avisa o Roger que vou processar ele e o banco.
Sai, revoltado mas pelo menos entrei, não dei esse gostinho pro incopetente gerente.
Falta de respeito com o cidadão e com o cliente.
Só não usei a frase: - Sabe com quem você está falando.
Porque não sou mais que um cidadão que tenta a todo custo, pagar suas contas em dia.
Pena que no Brasil a gente tenha que chamar a polícia pra ter o direito de entrar no banco e pagar uma simples conta.
VERGONHA !!!!
FALTA DE RESPEITO !!!!
Do que adianta ter um talão de cheque ***** 5 estrelas como eu tenho.
Itaú, feito pra você. Sei.....

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Oficinas de Teatro no Periferia Invisivel



O Coletivo Cultural Periferia Invisível abre inscrições para oficinas de teatro gratuitas, no Teatro Periferia Invisível. Com foco no Artista/Cidadão, o grupo visará desenvolver capacidades e aptidões individuais e coletivas dentro da esfera teatral (atuação, dramaturgia, cenografia e figurino) se tornando assim referencia na forma de fazer teatro, uma vez que levam em consideração o publico e as suas dificuldades sociais, culturais e   financeiras.

Periferia Invisível - o Projeto Marginaliaria recomenda

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Primeiro Dia...

Primeiro dia...

A Chegada.

Fui pego pelo meu coordenador, Barata, no metro Artur Alvim e ele me levou ate a UI(unidade de internação) Vila Conceição.(A partir daqui todos os nomes serão fictícios)
No carro, esclarecimentos de que eu iniciaria as atividades hoje, as 14 horas, 2 horas de aula, duas “turmas” com uma 1 hora cada. Atividade livre, semana de “WorShops”, a meu critério.Censura? perguntei. Sim senhor, a Fundação casa, quando não entende o trabalho começa a “dificultar” o trabalho do arte educador, conselho : - Conquiste terreno.
Ao parar na frente da UI, muros altos, uma pequena porta verde de aço  com uma pequena fresta para passar os documentos, um dia nublado, a população ao redor parou para ver quem descia do carro e observou o homem negro de Dread, e botas cano longo, acompanhado do homem branco, baixo, de camisa azul clara e calças jeans.
Ao descer do carro outra orientação: - Não entre com celulares, deixe na portaria. Havia me esquecido de certas regras de procedimentos de visitas na cadeia. Esquecido?Nunca pisei numa cadeia. Perguntei sobre o material que separei para utilizar ( Ferrez, Sacolinha, Buzo, Ciriaco e Caros Amigos), - Pode entrar tranqüilo – me respondeu meu coordenador, repensei e decidi não entrar com eles, muito cedo pra bater de frente com  sistema, entrei sozinho, deixei os amigos mestres na mochila e pensei, vou de Plínio, IMPROVISAR.
Apresentações aos funcionários do sistema: - Nossa, difícil seu nome – sorriso cordial e explicação de como escreve-lo, mais apresentações e por fim, os “carcereiros”(agentes sócio educativos), não entendi porque estes homens mais velhos do que eu me chamaram de senhor e ao dialogar comigo, mantinham suas mão para trás. Lembrei da vila: - Se vira devagar e põe as mãos pra trás, tem passagem?
Me perguntaram do material que utilizaria: - Papel e lápis - respondi tentando ser cordial mas com o espírito em tensão.
Nos encaminharam pra “sala multiuso”- esperamos mais alguns minutos e a coordenadora pedagógica da Fundação Casa me trouxe o material necessário e disse : - 15 lápis, 5 borrachas e 3 apontadores, as folhas tem a vontade, ao final da atividade preciso destes números batendo, assinei um papel.

A troca.

Arrumamos as cadeiras e circulo de forma que todos pudéssemos nos ver, o meu coordenador e eu, veio a coordenadora pedagógica da fundação casa e sentou-se, na seqüência vieram os garotos.
Cabeças raspadas e abaixadas, olhares baixos, tez franzida, mãos pra traz do corpo, camisetas brancas, alguns de bermudas beges e outros de calças azuis, todos de chinelos havaianas, todos jovens, muito jovens, alguns tinham um olhar mais tenso, penetrante, exibiam tatuagens com nomes de mulheres e dizeres: - Amor só de mãe. Todos perfilados, lembrei de judeus em campos de concentrações nazistas (difere que a maioria dos garotos eram negros, uns mais claros que outros,outros eram ate mais brancos, mas todos negros), me foquei na entrada dos garotos e estendi a mão ao primeiro, que ao perceber que estendi a mão a ele, olhou para o “carcereiro” que acenou positivamente com a cabeça e então me comprimentou, abaixei um pouco minha cabeça e procurei os seus olhos com os meus, ele então me olhou nos olhos, foram dois, talvez um segundo, mas ganhei a sala toda com este gesto de humildade, de trata-los como iguais, como homens que erram (se for um erro deles), como eu.Troquei.

Vale a pena.

Após o meu coordenador fazer uma breve apresentação do que seria estes três dias de atividades, me apresentei, e iniciei com a poesia – Jesus chorou – do grupo racionais MCS, não precisei chegar ao meio, quando se tocaram do que se tratava, iniciou um coro, tímido, mas de olhares vividos, despertos, eu silenciei e deixei que o coro de garotos surrados pelo sistema rimassem na frente dos tais “técnicos pedagógicos” da Fundação Casa, na frente de seu “Agente Sócio Educativo”, de relance olhei para o meu coordenador e percebi um riso tímido no canto de sua boca,e as bocas entre abertas dos funcionários do sistema, findou o coro.foi como se eu tivesse num sarau, palmas começaram automaticamente, de todos.Vale a pena.
Falei sobre literatura periférica e incentivei-os a escrever. Funk (ótimos) Raps, e autobiografias.
Em uma delas um interno chorou quando terminei de lê-la(ele me pediu pra ler) e ao ver suas lagrimas correndo, virei o rosto rápido e fechei comigo memo no seguinte pensamento: - Não posso chorar aqui não caraio!
Correu tudo bem e ao findar as duas trocas, fui ate a sala da equipe técnica e disse: - 15 lápis, 5 borrachas, 3 apontadores e os trabalhos posso levar? – Não, os trabalhos não ficam aqui.(merda)

Na volta.

Na volta, sozinho na lotação, deixei que aquelas fugitivas ganhassem a liberdade, não fugiram não, eu as libertei. Chorei.